sábado, 28 de abril de 2012

Por que meditamos?





A meditação está ligada a muitos caminhos espirituais, mas seus benefícios fisiológicos têm encoberto o verdadeiro motivo desta prática. A meditação não tem como objetivo combater o estresse ou a pressão alta, essa prática leva ao autoconhecimento e este deve ser o seu verdadeiro objetivo. Saiba mais nesta entrevista com a instrutora e praticante de meditação Myoshin Kelley.
1. Como a meditação está ligada à espiritualidade? Isso realmente depende de como você define espiritualidade. A palavra pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Se você a define como “o despertar para quem realmente somos” ou ainda como “viver em um espaço de verdade encarnada”, a meditação é o processo pelo qual acordamos para essa realidade. É o que podemos fazer para esclarecer e olharmos para as coisas como elas realmente são em vez de sermos levados por percepções equivocadas que nos deixam perplexos, confusos e nos sentindo alienados dentro de nossas próprias vidas.
2. Por que é tão difícil manter a atenção no momento presente? Temos o hábito de sempre procurar a felicidade fora de nós mesmos. Por isso, precisamos mudar e nos ajustar constantemente para encontrar o estado ilusório de bem-estar. Assim, quando algo do qual não gostamos nos acontece, é preciso que nos livremos do ocorrido ou ainda quando alguma coisa promete felicidade, precisamos ter mais do mesmo ou perseguir essa impressão. Relacionamo-nos com a vida de forma que alguma coisa sempre nos é necessária e, assim, criamos hábitos de reatividade na mente. Quando não temos consciência disso, simplesmente repetimos essas respostas condicionadas inúmeras vezes. Elas se tornam muito familiares, mesmo as que podem nos causar desconforto, pois, pelo menos, permanecemos no terreno do familiar. Muitas vezes, gastamos tanto tempo do nosso dia vivendo dessa maneira que somente quando começamos a fazer uma tentativa de nos mantermos conscientes e plenamente presentes é que sentimos a grande força de impulso dos nossos hábitos. Parece mais fácil seguir tais hábitos do que enfrentá-los, especialmente porque, por vezes, enfrentar algo como a raiva não é a experiência mais agradável do mundo.
3. Como a prática da atenção pode nos aproximar da paz? Nossa natureza básica é de paz, alegria e felicidade. A meditação é apenas um caminho para redescobrir esses estados. Seu funcionamento é muito simples, na verdade, é tão simples que muitas vezes ignoramos seu poder. Começamos por simplesmente nos mantermos presentes em nossa experiência a partir da perspectiva da consciência. A consciência não julga, não valoriza uma coisa em detrimento de outra, ela simplesmente reflete a coisa como ela é. Por exemplo, em um momento de medo, nós reconhecemos a experiência do medo, mas não tentamos nos livrar dela ou não acreditamos em tudo que tal experiência está nos dizendo. Nós não nos tornamos a pessoa que tem medo, nós apenas reconhecemos que o estado de medo está presente. Na verdade, usamos essa experiência para estarmos presentes e o medo se torna um aliado. Nesse momento, já que não estamos lutando com esse estado, a mente naturalmente começa a se acalmar. A partir daí, começamos a encontrar mais espaço na mente, temos mais abertura, mais calma e paz. Com esse novo espaço, descobrimos as qualidades inatas interiores de amor, bondade, compaixão e sabedoria. Realmente, começamos a enxergar que esses estados de espírito, como o medo, são como ondas na superfície do oceano e que a paz e a calma sempre estiveram lá. É uma mudança simples que pode ter um impacto enorme sobre a maneira que vivemos nossas vidas.

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