sábado, 12 de maio de 2012

Eco vilas Como começar


                                                           


Compartilhar com você algumas ideias, informações e possíveis caminhos que fizeram e ainda fazem sentido para várias comunidades intencionais mundo afora. Para quem não conhece essa expressão, comunidade intencional é o nome que se costuma dar para os grupos que se formam em torno de alguma intenção específica, que pode ser uma liderança espiritual, uma atividade comum (cultivar alimentos, praticar yoga, desenvolver as artes ou ser um centro educacional ou de saúde alternativa, por exemplo), enfim, algo que de fato consiga manter as pessoas unidas e inspiradas para viver em comunidade.
Tempos atrás, a Rede Mundial de Ecovilas realizou um estudo para tentar levantar pontos comuns entre as comunidades que estavam prosperando, tomando por base o dado de que apenas 10% das ecovilas que são criadas conseguem, de fato, se sustentar ao longo do tempo, sem se desagregar a ponto de não existir mais.
Duas descobertas chamaram a atenção dos pesquisadores. A primeira diz respeito à posse da terra. Todas as ecovilas que conseguiram prosperar mostraram ter clareza sobre esse ponto: souberam resolver legalmente essa questão, garantindo transparência ao processo. Por quê? Ora, muitas ecovilas surgem quando um grupo de pessoas resolve “juntar os trapos”, certo? E isso, muitas vezes, ocorre numa terra que pertence a uma única pessoa ou a um grupo restrito de integrantes dessa ecovila. Resultado: não raras vezes, os donos da terra desistem do projeto, ou porque não se adaptaram ou porque sofreram algum trauma na família (separação, morte, falência etc.). Se a terra não é de todos ou não tem uma garantia legal de uso para aqueles que vivem nela, as chances de dar algo errado no meio do caminho são enormes.
Outro dado interessante da pesquisa refere-se aos acordos internos que precisam ser estabelecidos entre os integrantes da ecovila. De novo, as comunidades que conseguiram transpor obstáculos e permanecer firmes no propósito têm acordos claros e transparentes, uma espécie de regulamento interno. E não adianta ter só o documento. Ele precisa ser resultado de um processo árduo de discussões e reflexões acerca do que se quer para a ecovila. Precisa ser algo com o qual todos possam se identificar, se inspirar e se fortalecer nos momentos de crise.
É nesse documento que estão, por exemplo, regras para ingressar na comunidade e sair dela, regras para a tomada de decisões (por consenso, maioria, comissões autônomas etc.), regras para a construção de casas, e por aí vai. Quando se tem clareza sobre como as coisas funcionam na comunidade, tudo mais fácil – ou menos difícil.
Na Ecovila Clareando, estamos justamente nesse processo. Ainda no início, temos discutido questões que andam aparecendo no dia-a-dia, tentando definir maneiras de evitar conflitos e de resolvê-los da melhor forma possível, com amorosidade e confiança no grupo.
Lá, a terra é dividida em 3 grandes áreas: lotes privados, áreas comunitárias e áreas de reflorestamento. Nas áreas privadas, que são os lotes, as famílias têm autonomia, é claro, mas devem respeitar um conjunto de regras na hora de construir, que compõem o contrato de compra do lote. É uma forma de garantir parâmetros mínimos e de evitar que se tenha na ecovila casas pouco alinhadas com princípios que nos são caros e essenciais, como o tratamento do esgoto, a captação da água de chuva, o aquecimento solar de água e a inexistência de muros.
Muita gente imagina que uma ecovila é um lugar cheio de tecnologias alternativas e ponto. De fato, elas estão presentes. Mas o grande desafio não é técnico. Já existem tecnologias ecológicas o suficiente para construir um laboratório de vida sustentável em qualquer canto do mundo. Acontece que quem vai morar lá não são máquinas. E aí, é aquela velha história: bastam duas pessoas para que a convivência entre elas seja desafiante.
Em outras palavras, construir uma ecovila física, com casas ecológicas, hortas belíssimas e centros comunitários é o menor dos desafios. A aventura é botar gente nessa história e ter habilidade, paciência e respeito às diversidades (e adversidades). Aí, sim, mora o desafio enriquecedor. Não há fórmulas prontas nem receitas milagrosas. Talvez por isso mesmo seja algo tão inspirador, construído devagarinho, tijolo por tijolo, dia após dia…


Um grupo de 10 pessoas se reuniram para construir uma ecovila no ano de 2005. 

Compraram juntos, em Janeiro de 2006, 16 hectares de terra no sul de Minas, nas altas montanhas de Serra da Mantiqueira. O projeto da ECOVILA já estava pronto quando o grupo se uniu. Seis meses de intenso de trabalho com uma projetista especializada foram necessários para concluir esse projeto. Os primeiros parceiros vieram dos cursos de alquimia; alunos e instrutores que assistiram a uma apresentação contendo informações aos prováveis futuros parceiros desse projeto.
Durante um ano discutimos a nossa convenção, solucionamos a parte jurídica e discutimos projetos arquitetônicos ambientais. No mês de Maio de 2008, já terminando a primeira etapa de construções, é chegada a hora dos cuidados com o alinhamento interno com as premissas inovadoras de convivência dentro dessa ecovila.
Durante o processo, alguns novos membros foram incorporados ao projeto, outros saíram. Com as construções em andamento, vários estrangeiros foram naturalmente chegando e hoje, podemos dizer que a Ecovila Viver Simples possui um quadro de fundadores internacional, com canadenses, indianos, romenos e noruegueses entre seus componentes. Atualmente, temos o mesmo número de estrangeiros e de brasileiros no grupo.
Sendo um deles especialista em construir bases de alinhamento entre membros de organizações e comunidades, já tendo participado de processos semelhantes em duas ecovilas, uma na Noruega e outra na Espanha, tal experiência tem sido de grande importância para o nosso processo.
Esse artigo tem por objetivo refletir sobre as mudanças de velhos padrões internos, impressos em nossa mente pela educação urbana, imprescindíveis à construção de um novo mundo em harmonia com a natureza.
"O método correto nas mãos de um homem incorreto será um método incorreto. O método incorreto nas mãos de um homem correto será um método correto."
I Ching - O livro das Mutações


Em linhas gerais, uma ecovila é uma associação de pessoas que querem criar novos modelos de vida, mais harmonizados com as leis e forças da natureza. Sair dos grandes centros urbanos, construir de forma alternativa, respeitar o meio ambiente, reciclar materiais, não poluir são algumas premissas. Seus objetivos básicos são:
a.. produção local e orgânica de alimentos;
b.. utilização de sistemas de energia renováveis;
c.. utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções;
d.. criação de esquemas de apoio social e familiar;
e.. diversidade cultural e espiritual;
f.. governança circular, incluindo experiência com novos processos de tomada de decisão e consenso;
g.. economia solidária;
h.. educação transdisciplinar;
i.. saúde integral;
j.. comunicação global.
Ninguém consegue definir com propriedade uma ecovila, cada uma é única. Seus propósitos e objetivos dependem de cada um dos seus integrantes. Milhares delas estão florescendo pelo mundo e nenhuma conseguiu, ainda, realizar plenamente seus propósitos e objetivos iniciais. È difícil delinear tais dificuldades, mas algumas delas já podem ser observadas e estudadas.
Algumas ecovilas falham ao definir seus objetivos e os comunicarem claramente aos seus integrantes. Outras, deixam de lado a construção de bases jurídicas sólidas e capazes de amparar suas ações.
Muitas delas falham por falta de planejamento financeiro em prol de uma visão romantizada da realidade. Tendem a endemoninhar o dinheiro, atitude que as impede de compreender o simples fato de que dinheiro é energia e sem energia, nada pode florescer. Não querem o velho modelo econômico capitalista, mas não conseguem estabelecer novos modelos sustentáveis. Muitas contam apenas com doações esquecendo por completo da auto-sustentabilidade, meta que só pode ser alcançada com o desenvolvimento de projetos economicamente saudáveis e, ambientalmente corretos.
Outro fator importante no processo, talvez o mais importante deles, é o alinhamento dos seus fundadores com os propósitos filosóficos e práticos aplicados ao cotidiano de uma ecovila. Regras de convivência são necessárias ao bom funcionamento de qualquer sociedade. Questionamos o velho modelo, mas somos incapazes de criar novos modelos positivos e realizá-los no cotidiano. É preciso preparar as pessoas envolvidas visando à transição do antigo modelo para o novo. Esta é a tarefa de maior desafio aos integrantes de uma ecovila. O sucesso ou o fracasso na formação de uma ecovila dependerá diretamente do resultado positivo deste processo de transição.
Nesse ponto é bom saber que existem modelos eficientes que podem ser aplicados para auxiliar nestes processos de transição. Resta entender porque não procuramos ajuda quando sentimos tais dificuldades.
Esse artigo pretende refletir sobre esse aspecto, importante para o sucesso de uma ecovila. Os problemas e desafios que enfrentamos na concretização do projeto da Viver Simples me servirão de exemplo e inspiração nesse assunto.
Os modelos de convivência coletiva dentro da sociedade atual, obedecem a estratégias criadas por pessoas inteligentes e poderosas que administram a vida de milhares de cidadãos, de cima para baixo. Acredita-se, dentro do modelo democrático, que os criadores dessas leis foram escolhidos através de votos para defender os interesses e necessidades de seus eleitores. Credenciam-se essas pessoas em eleições que acontecem em tempos determinados dentro das estruturas sócio-políticas democráticas. Mas, normalmente, são os interesses financeiros e políticos que acabam determinando o rumo dessas leis e decisões, e, quase nunca, as necessidades reais da sociedade.
Temos observado na Ecovila Viver Simples que o modelo em rede, presente em todo o processo natural, acontece de forma diferente atuando simultaneamente em todas as direções: vindo de baixo, da terra (nossa mãe) e dos seus processos de mudança afetam a vida no planeta; vindo de cima, dos eventos cósmicos, interferem na vida humana, animal, vegetal e mineral e na própria terra; vindo das outras 4 direções, do homem, sua cultura e meio ambiente, afetam o planeta e a sua harmonia. Tudo está interligado nesse sistema.
O conhecimento dos sistemas em rede são imprescindíveis ao processo de transição entre o modelo velho e o natural que deve guiar uma ecovila, se ela quer realmente ser sustentável e viver em harmonia com o universo a sua volta. O conhecimento desse sistema poderá ser a medida exata que determina a direção para onde essa transição nos levará.
Sobre o dinheiro e a economia
Talvez essa mudança de paradigma necessária a uma organização em harmonia com o todo, seja um grande desafio para uma ecovila. Fico observando a economia natural do processo da vida, e concluindo que esse sistema natural, também funciona como uma rede. Observem como não falta nutrientes para uma mangueira dar seus frutos. Ela simplesmente se enche de dádivas, flores e frutos e os deixa cair maduros para alimentar quem vier,.. e se nenhum ser dela se alimenta, suas mangas caem ao solo e brotam centenas de pés de novas mangueiras! Isso não é lindo e generoso? Na natureza nada se perder, tudo se transforma em mais riquezas e dádivas!!
Existem diversas correntes de novas economias sendo estudadas agora, e o Frijof Capra talvez seja o autor mais conhecido a tratar das rêdes de economia solidária. Vale a pena ler seus livros chamado Conexões Ocultas e Teias da Vida como fonte de inspiração. Podemos sim, usar o dinheiro de uma forma diferente, medindo o lucro pela capacidade de transformação das pessoas e comunidades circunvizinhas e não pelo lucro financeiro tão buscado pelas organizações e empresas no nosso mundo.
Quando trabalhamos a terra, ela nos responde, se cultivamos o dinheiro como energia pura, como provedor do bem estar e da prosperidade natural, teremos recursos para seguir adiante e construir uma nova economia. Muitas ecovilas morrem por falta de recursos, elas não conseguem construir uma nova relação com o dinheiro e param de funcionar.
Uma das nossas fundadoras estrangeiras ajudou no passado a montar duas ecovilas. Quando esteve aqui perguntei o que deu errado com elas, e ela prontamente respondeu; terminaram por falta de recursos, seus fundadores tinham uma visão inadequada do dinheiro, e acreditavam que poderiam viver sem ele. Uma das razões dessa fundadora se integrar ao nosso projeto foi o nosso plano econômico auto sustentável, onde viu a possibilidade real dessa ecovila florescer.
Nosso plano econômico de construção é simples e visa a utilização de seus recursos extras no próprio projeto, em seu crescimento e sustentabilidade. Nesse modelo, desestimulamos completamente o lucro como bem pessoal e o utilizamos na melhoria das comunidades locais.
O dinheiro é energia, e quando o desprezamos, desprezamos também uma energia poderosa de realização. Fazer essa energia circular, crescer e proporcionar o bem das comunidades é uma solução alternativa, altruísta e nova. Ter vários modelos que possam levar a esse resultado, e experimentá-los na prática, seria a opção mais recomendável.
Muitos novos bancos estão sendo abertos pelo mundo visando apenas o crescimento das populações pobres e sua inserção no mundo moderno e civilizado. È possível a coexistência de uma economia solidária com os cuidados com o meio ambiente e uma vida natural. O que não ajuda é essa irritação que notamos nos alternativos quando o assunto é dinheiro. Há um grande equivoco nessa área que dificulta a sobrevivência das ecovilas.
Ver o dinheiro como uma energia capaz de melhorar a vida de todos e beneficiar as populações locais, e não como fim. Ver o lucro como resultado da melhoria na qualidade de vida, em vez de um meio para alimentar nossa carência de consumo, é vital para a concretização de uma ecovila saudável. Tanto o dinheiro quanto a energia são neutros, nós humanos é quem damos a ele a qualificação de bem ou mal, tudo depende de como e com que finalidade aplicamos essa energia.
Sobre um modelo novo de relacionamento e tomada de decisões
Democracia? Centralização de poder? Monarquia? O mundo moderno passeia entre essas 3 formas de relacionamento sócio político e nenhuma delas cumpre suas metas e princípios. Um poder para ser legitimo precisa ser amparado em conhecimentos e habilidades , e o consenso não existe. Essa idéia romântica tem prejudicado muitas ecovilas na solução de seus conflitos. Existem conflitos quando não existe maleabilidade e abertura para as mudanças; e o que mais dificulta é a desconfiança e o autoritarismo.
Modelos circulares de gestão, conselhos, liderança espiritual, trabalhos de alinhamento do grupo e meditação em comum, tem sido algumas das soluções aplicadas nas sociedades alternativas como é o caso de uma ecovila. Na Viver Simples preenchemos um questionário e o estudamos durante 6 meses o tipo de gestão preferida pelos seus fundadores. A mais votada e escolhida foi a gestão por conselhos. Já temos o sucesso do conselho de construções e do financeiro que possibilitou a construção rápida e eficiente de nossas unidades. Ainda não sabemos como vão funcionar os conselhos de marketing, soluções, produção e manutenção, mas já sabemos que as pessoas que são eficientes nessas funções, terão o apoio e a confiança total de todo o grupo.
Acredito que o sucesso desses conselhos vai depender da capacidade de cada um em assumir suas responsabilidades, usar seus conhecimentos, aprender a aprender, a funcionar em rede e tomar as decisões necessárias, comunicando de uma forma transparente suas razões e motivos. A transparência e os relatórios enviados ao grupo, a votação dos assuntos contraditórios, e sem duvida alguma, o resultado positivo final de decisões que espelham o modelo natural a que nos propomos, é imperativo para que esses conselhos conquistem a confiança da maioria .
Esse tipo de gestão só pode ter sucesso em pequenas comunidades, onde é possível uma discussão rápida e uma tomada de decisão com o apoio de todo o grupo. Todas as vezes que tivemos divergências na Viver Simples, recorremos a nossa convenção, e ao bom senso. A abertura para a mudança dos insatisfeitos, e o objetivo essencial do projeto voltou a ser prioritário e as coisas puderam retornar naturalmente ao normal.
Acredito que um projeto bem estruturado, que mova as pessoas pelo coração, seja imprescindível para resolver divergências e vontades pessoais que não se harmonizam com seus objetivos finais. Sem um projeto claro, apaixonante, que mova as pessoas em sua direção, fica muito difícil resolver conflitos.
Sobre auto-sustentabilidade e mão de obra
No mundo capitalista e pretensamente democrático onde vivemos, muitos trabalham duro ganhando pouco, para que poucos tenham recursos e se divirtam gastando muito. Uma sociedade alternativa não pode repetir esse modelo incompatível com a auto-sustentabilidade de uma forma alternativa de vida . Nossa educação nos prepara para o ter e o pensar e muito pouco para o ser e o fazer.
As tecnologias de construção alternativas e tradicionais estão nas mãos de homens simples que moram nas zonas rurais. A Ecovila Viver Simples demorou muito para perceber que o conhecimento que precisávamos estava bem ali, no próprio local de nossas construções com os empreiteiros tradicionais locais. Durante a construção de nossa primeira etapa, tivemos a oportunidade de vivenciar a sabedoria natural dos homens da terra que sempre ajudaram seus pais e avós a construírem de uma forma alternativa! Até descobrirmos isso, tivemos uma série de revezes com técnicos cheios de idéias de como a natureza se comporta, e pouca disposição em fazer o que queriam ensinar.


No meu entender, uma ecovila é única, e seus processos de construção devem nascer da própria terra, do seu clima e sua localização geográfica, e esse processo não acontece em mesas de reuniões com técnicos urbanos, mesmo os formados em bio-construção, quando tentam impor conhecimentos padronizados a algo tão vivo e mutante! Envolver empreiteiros locais e participar pessoalmente dessa construção traz benefícios econômicos e sociais para a região, alem de promover uma recuperação de uma tecnologia que de outra forma seria esquecida e desapreciada.
Temos ainda um outro desafio pela frente; o que vamos fazer com os serviços necessários ao funcionamento diário de uma ecovila? Quem fará os trabalhos necessários para o plantio, a reciclagem, a limpeza e manutenção funcional de toda uma ecovila??
Na fase final da primeira etapa da Viver Simples estamos nos reunindo para tratar disso. Uma coisa é certa; não vamos ter empregados. A relação patrão empregado é muito contaminada, e está se disseminando mesmo nos meios das comunidades tradicionais com as de Morro Grande no sul de Minas, onde está situada nossa ecovila. Ali os proprietários de terra, mesmo os analfabetos e simples, empregam os mais desocupados em seus serviços de capinagem, plantio e cuidados com o gado. A economia solidária tradicional foi perdida.
Pretendemos testar algum sistema de cooperativa, usando como modelo a relação solidária e natural que existe entre as plantas amigas. Esse modelo natural de solidariedade vegetal, onde uma planta de uma determinada espécie ajuda a outra a crescer, dando sombra e suporte a uma outra maior até o seu pleno desenvolvimento, poderá ser uma inspiração muito útil.
Fundadores, voluntários e amigos, devem se inserir nessas atividades e acreditamos que poderemos reconstruir uma sociedade mais cooperativa onde todos trabalham e todos ganham sem a necessidade de vínculos empregatícios.
Um sistema legal simples de Comodato, muito parecido com o sistema de troca, deve ser testado, e muitos outros, até chegarmos a um que funcione. No sistema de Comodato, a necessidade de um, pode ser acoplada a necessidade de outro e assim todos ganham.
Esse sistema tem sido usado na Bahia, pelos cacauricultores, que com a crise da vassoura de bruxa não puderam mais arcar com as pesadas quantias do vínculo empregatício. Seu funcionamento é muito simples; o cacau e outras culturas mais demoradas, coexistem com plantios de curta duração, mais utilizados nas comunidades agrícolas tradicionais. O agricultor e alguns amigos se unem em uma associação, plantam suas necessidades básicas de alimentação nas terras do proprietário, e cuidam em troca das plantas com tempos mais demorados de colheita que ficam para o proprietário das terras.
Esse modelo pode ser aplicado como modelo alternativo desde que ambos, agricultores e proprietários da terra, trabalhem juntos.
Imagino para nosso futuro, uma grande cooperativa de produtores orgânicos, a ecovila entre eles, plantando, tirando da terra sua alimentação e recursos. Todos seriam auto - sustentáveis no que precisam para comer, e essa cooperativa venderia o que a natureza gerou a mais, comercializando essa produção extra e gerando melhoramentos para todos!
No trabalho de funcionamento da cozinha e das unidades de acomodação de visitantes, a Viver Simples procurou resolver essa questão tornando cada morador proprietário de dois quartos. Assim, eles mesmos se responsabilizam pelo funcionamento perfeito de cada unidade.
Nossa cozinha pode funcionar com um revezamento dos fundadores que são bons cozinheiros. Os participantes desses eventos, podem ajudar como voluntários nas tarefas de funcionamento desse espaço, cuidando das atividades necessárias em troca do valor do curso. Esse sistema é muito utilizado nas comunidades que visitei no estrangeiro.
O importante é nos manter longe dos vínculos empregatícios e das relações viciosas entre empregados e patrões. Cooperação e trabalho solidário trazem sempre bons frutos e sucesso!
Gente que trabalha, tem pouco tempo para conflitos e divergências. Um corpo cansado terá sempre um enorme prazer quando estiver descansando. Uma pessoa sedentária terá sempre uma mente complicada e um emocional desequilibrado, procurando desavenças para encher sua vida cheia de tédio.
Sobre saúde natural e conhecimento partilhado
Seria muito triste viver numa ecovila onde as pessoas precisem de seguro saúde, e quando estivessem doentes, tivessem que viajar a um grande centro urbano e se tratar em um hospital. Sem duvida alguma que essa necessidade pode vir a acontecer, mas preferimos evitar com prevenção.
A medicina moderna está a cada dia mais mercantilizada. Os tratamentos seguem protocolos nas dosagens das medicações que são produzidas pelas milionárias multi- nacionais dos remédios.
Uma medicina alternativa pensa na preservação da saúde e muito pouco em doenças. Uma ecovila auto-sustentável deve criar um projeto inteligente e eficiente de preservação da saúde natural dos seus integrantes. Alimentos saudáveis sem agrotóxicos, plantação de ervas medicinais, contato com raizeiros locais e terapeutas alternativos, centros com várias práticas de prevenção da saúde, cuidados com a qualidade da água, a prática de exercícios diários de circulação e multiplicação da energia vital do corpo, são fatores importantes que pretendemos implantar.
A Viver Simples tem realizado pesquisas locais para a formação desse centro de saúde desde o inicio de sua construção. Foi feito contato com bons raizeiros locais e cadastramento de ervas naturais usadas pela população para a cura e preservação da saúde. Em nosso projeto temos a construção de uma UTI natural, onde pessoas idosas podem se preparar para morrer em paz, sem as torturas dos tratamentos hospitalares que não respeitam a morte e querem evitá-la a qualquer custo, mesmo quando o paciente já tem 90 anos de idade e precisa concluir o seu ciclo natural de vida/morte. Quase todos os fundadores de nossa ecovila praticam exercícios diários para a circulação e multiplicação da energia vital através de fórmulas milenares tradicionais de preservação da saúde.
Sorrir, rir muito, é uma das melhores formas de preservar a saúde. Vejo no futuro nossa ecovila cheia de doutores da alegria fazendo todos rirem pelos menos 5 vezes por dia. Uma boa gargalhada cura mais do que qualquer medicação. Sem humor não é possível preservar nossa saúde! A Ecovila Viver Simples fechou parceria com um proprietário de terras vizinhas que é um dos participantes da organização Doutores da Alegria. Vamos aprender a criar situações cômicas e cuidar todos os dias de nossa saúde sorrindo muito! Gargalhando se for possível, mas sempre rindo!!
Falta em algumas ecovilas um projeto realmente abrangente nessa área. Mudar para junto da natureza, comer alimentos sem agrotóxicos, somente, não garantem a preservação da saúde. Se assim fosse, homens do campo que comem alimentos sem agrotóxicos e que possuem uma vida movimentada e plena não adoeceriam. Meios alternativos de todo tipo podem inspirar um bom projeto de saúde para os moradores de uma ecovila. Somente assim podemos construir uma auto - sustentabilidade verdadeira nessa área. A independência na cura de doenças e preservação da saúde é vital nesse processo!
Nossa ultima reflexão é sobre o conhecimento compartilhado. Gosto de pensar que quando Jesus disse que não deveríamos cuidar dos tesouros da terra e sim construir tesouros no céu, onde as traças não podem comer, estava falando do conhecimento e de sua duração. O conhecimento nunca se perde, e esse tesouro deve ser compartilhado com todos.
As zonas rurais onde estabelecemos as ecovilas, são carentes desses recursos, e creio ser um dever, compartilhar conhecimentos com as populações locais. Trazer meios para criarem uma melhor qualidade de vida financeira, mental, emocional e cultural, é uma obrigação nossa. O projeto abarca o trazer melhorias positivas para a região de Morro Grande, fomentar novas tecnologias de trabalho agrícola, cursos de arte e desenvolvimento dos talentos locais. Treinamento na gestão dos recursos para a construção de sonhos pessoais e tudo o que possa trazer mais independência e sabedoria para as comunidades vizinhas.
Como nossa ecovila está situado no sul de Minas, e todos sabem da dificuldade e da desconfiança do mineiro com coisas inovadoras, vamos começar pelas mulheres locais e suas instituições religiosas. Vamos participar de suas atividades e á partir daí, ir introduzindo aos poucos os conhecimentos necessários a seu desenvolvimento pessoal.
Tivemos uma boa experiência nas construções alternativas com a troca de conhecimentos dos construtores locais e o material novo sobre os modelos de construções alternativas que pesquisamos. Aprendemos com interesse e respeito seus conhecimentos tradicionais e somávamos a esses, as novas tecnologias de bio- construção, sem que houvesse incompatibilidade entre elas. O resultado final desse intercâmbio gerou um novo corpo de conhecimentos mais rico e eficiente para ambas as partes. Acredito que através desse respeito e amor pelo conhecimento tradicional local, podemos aos poucos ir introduzindo a leitura, usar as conversas ao pé do fogão aproveitando para trocarmos experiências e abrir uma porta para empreendimentos mais desafiadores no futuro.
Para se instalar verdadeiramente algo novo, precisamos conhecer profundamente o que há, e sempre começar à partir da realidade em que se encontram e bem devagar ir instalando mecanismos de mudança.
Acredito que a fundação e, a construção de uma ecovila, acontece em um tempo não linear. Como a natureza, ela também obedece a ciclos, nasce, amadurece e morre sempre construindo algo novo á partir do velho que morre. O novo algum dia será velho, e também morre dando espaço para uma nova vida. A ecovila que perdura deverá ser a menos permanente, a que se abre a cada dia para as mudanças.
O livro das mutações, o I Ching nos ensina, que a única coisa que perdura nessa vida é a impermanência. Se a cada dia nos abrimos para as mudanças e criamos condições internas bem positivas, poderemos vencer os desafios permanentes que surgem no processo da manifestação plena de uma ecovila.
Somente assim podemos nos alinhar com os processos naturais, e aceitar que nenhum modelo único poderá funcionar numa ecovila verdadeira, sem ferir seu objetivo essencial que é ser mutante e bio-diversa como a natureza!
Desafio do bio-sistema

Para que a ecovila esteja integrada harmonicamente ao ambiente natural, é necessário encontrar-se maneiras amigáveis e ecológicas de:
- Preservar os habitat naturais da ecovila.
- Produzir alimentos, madeira y outros bio-recursos no lugar.
- Processar os resíduos orgânicos produzidos no lugar.
- Despejar a menor quantidade possível de resíduo tóxico.
- Processar resíduos líquidos.
- Evitar o impacto ambiental no lugar pelo uso e despejo de qualquer produto.

Desafio da construção ambiental

- Construir com materiais ecológicos.
- Usar fontes de energia renovável.
- Manejar os resíduos sólidos, líquidos e gasosos dos edifícios de maneira ecológica.
- Ter a mínima necessidade de transporte motorizado.
- Construir de maneira a criar menos impacto na terra e na ecologia local.
Para que a ecovila favoreça um sano desenvolvimento humano, é necessário que as construções:
- Tenham um bom equilíbrio entre lugares públicos e privados.
- Estimulem a interação comunitária.
- Ampare uma grande diversidade de atividades.

Desafio do sistema econômico

Para realizar o ideal da ecovila favorecer um sano desenvolvimento humano e seja completa, precisa que haja uma atividade econômica significativa. Para realizar o ideal de igualdade e não de exploração, que faz parte dos princípios de sustentabilidade, é preciso que as atividades dos membros da ecovila não dependam da exploração de outras pessoas ou lugares, nem da exploração do futuro no presente.
Algumas das questões que a ecovila irá enfrentar em relação ao sistema econômico, são:
-Quais são as atividades econômicas sustentáveis, no sentido de se sustentar aos membros da comunidade e são ecologicamente sustentáveis?
-Que partes da comunidade serão espaços em comum, que partes privadas?
-Como podemos ser simultaneamente eficientes economicamente e
ecologicamente, para reduzir tanto gastos como impacto ambiental?
-Qual é o modo mais apropriado de organização do trabalho para os negócios associados de a ecovila?
-Existem alternativas úteis, ou suplementos à moeda, para facilitar o intercambio econômico dentro e entre diversas ecovilas?

Desafio do governo

Como a economia, os ideais de igualdade e não explorações são ponto essencial, mas não nos dão uma idéia clara de como levar isso à pratica. Algumas perguntas úteis são:
-Como se tomarão as decisões, que métodos se utilizarão, para que tipo de decisões?
-Como se resolverão os conflitos?
-Como se farão cumprir as decisões da comunidade?
-Quais serão as funções e as expectativas da liderança?
-Como se relaciona a ecovila com o governo da comunidade vizinha?

Desafio da coesão grupal

Para poder manejar todos estes desafios, os membros da ecovila necessitam algo que os mantenha unidos, algumas bases de valores compartilhados e uma visão que lhe possa dar a coesão.
Desenvolver e manter essa coesão são outro nível de desafio, que irá despertar perguntas como:
-Qual é a relação apropriada entre unidade e diversidade?
-Que expectativas se tem com relação a valores, comportamentos ou práticas compartilhados no grupo?
-Até que ponto se desenvolve melhor essa proximidade?
-Como irá se relacionar o grupo com outros fora do grupo?

Desafio do sistema total

Se isto foi suficiente, ainda há um desafio mais profundo e imperceptível, no sistema total.
Um dos maiores desafios que enfrentam aqueles que intentam criar uma
ecovila é talvez que se necessitam transformações em tantas diferentes áreas da vida. Quase sempre os fundadores de comunidades intentam ou se sentem forçados a trabalhar todos os aspectos desta transformação simultaneamente.
Geralmente, todas estas transformações levam mais tempo e são mais
custosas do que se espera.
Ainda mais, cada área de transformação, interagirá com as outras de maneira imprevisível. Dentro do processo, os recursos financeiros, recursos emocionais e as relações interpessoais podem ser postas sob uma grande pressão. Quando os intentos de comunidade falharam, uma das razões foi geralmente porque o grupo intentou fazer demasiado e muito rápido com relação aos recursos à sua disposição.
O desafio do sistema total então, é de tomar um honesto sentido do alcance da empreitada, e logo desenvolver uma aproximação que permita à comunidade desenvolver-se a um passo sustentável.
Em outras palavras, "sustentabilidade" não é uma característica da comunidade terminada, tem que ser parte do pensamento e dos hábitos do grupo desde o começo.
Construir uma ecovila bem-sucedida requer equilíbrio de atividades entre três principais fases:
1) Recursos e desenho.
2) Criação - implementação.
3) Manutenção de cada uma das áreas de DESAFIO.
Tomar todos os desafios juntos pode resultar excessivo. Não é surpreendente que ainda não haja comunidades que consigam completar o ideal de ecovila. Se existem muitos projetos e grupos pioneiros que fizeram progressos consideráveis em aproximar-se em forma bem-sucedida a cada um destes desafios. Inclusive, algumas comunidades poderiam em poucos anos considerar-se ecovilas completas.
Aqueles grupos que atualmente estão dirigindo seus esforços para estes objetivos, tanto ao iniciar uma nova ecovila ou ao intentar transformar uma comunidade intencional já existente, felizmente não devem começar do NADA.
Comunidade sustentável - um desafio
por Robert Gilman





Robert Gilman é diretor do Context Institute. Recebeu o doutorado de astrofísica na Universidade de Princeton. Foi docente da Universidade de Minnesota e fez investigações no Observatório Astrofísico Smithsoniano de Harvard e na NASA. Desde 1975, quando decidiu que "as estrelas podem esperar, mas o planeta não", estudou a sustentabilidade global, investigações do futuro e estratégias para mudanças culturais positivas. Foi fundador e editor da revista INCONTEXT. Tem amplos antecedentes na historia das culturas, teorias inovadoras, economias sustentáveis, tecnologias apropriadas, e conservação de recursos. Com sua esposa Diane desenharam sua própria casa solar. A Reportagem de Ecovilas e Comunidades Sustentáveis é uma recopilação realizada pelos Gilman, a pedido do Gaia Trust da Dinamarca, em 1991. Essa seção está dedicada a todos aqueles que desejam ser ou já são participantes do desenvolvimento de Ecovilas, fundadores ou membros de uma comunidade, consultores e apoio no processo de desenvolvimento de Ecovilas. Será mais útil se esse material for lido por todos os membros do grupo de desenvolvimento da comunidade, discutido e logo incorporado ao processo grupal.
 
Poderiamos pensar que o principal conjunto de pontos guias para o desenvolvimento de Ecovilas, teria a ver com a parte eco, ou seja, com o manejar o bio-sistema e a construção ambiental. Esses pontos são certamente importantes, mas o que temos aprendido ao estudar as comunidades existentes e ao entrevistar as muitas pessoas com vasta experiência em tais comunidades, é que esses sistemas físicos são os aspectos mais fáceis no desenvolvimento de Ecovilas. Também são os mais variáveis, porque o detalhe de como manejar o bio-sistema ou a construção depende em grande parte da especificidade de cada comunidade. É por isso que focalizaremos certos aspectos críticos do processo de desenvolvimento das Ecovilas, onde a necessidade é maior.
Pode ser difícil ser pioneiro de comunidades sustentáveis, mas não é impossível, ainda mais, porque tem suas satisfações e recompensas. De fato, numerosos grupos o intentaram por décadas. Para ver as dificuldades que esses pioneiros enfrentaram, vamos dar uma olhada aos variados desafios que a visão de Ecovilas acarreta. Sem dúvida, essas observações podem ajudar-nos a enfrentar os desafios que nos toquem no desenvolvimento de nossos projetos.
Desafios do bio-sistema
Para que a Ecovila esteja integrada harmonicamente ao ambiente natural, é necessário encontrar-se maneiras amigáveis e ecológicas de:
- Preservar os habitats naturais da Ecovila;
- Produzir alimentos, madeira e outros bio-recursos no lugar;
- Processar os resíduos orgânicos produzidos no lugar;
- Despejar a menor quantidade possível de resíduos tóxicos no ambiente;
- Processar  todos os resíduos líquidos;
- Evitar o impacto ambiental no lugar pelo uso e despejo de qualquer produto.
Desafios da construção ambiental
- Construir com materiais ecológicos.
- Usar fontes de energia renováveis.
- Manejar os resíduos sólidos, líquidos e gasosos das construções de maneira ecológica.
- Ter a mínima necessidade de transporte motorizado.
- Construir de maneira a criar menos impacto no solo e na ecologia local.
Para que a Ecovila favoreça um desenvolvimento humano sadio, é necessário que as construções:
- Tenham um bom equilíbrio entre lugares públicos e privados.
- Estimulem a interação comunitária.
 - Amparem uma grande diversidade de atividades.
Desafios do sistema econômico
Para realizar o ideal da Ecovila que favoreça um desenvolvimento humano sadio e seja completa, precisa que haja uma atividade econômica justa. Para realizar o ideal de igualdade e não de exploração, o que faz parte dos princípios da permacultura, é preciso que as atividades dos membros da Ecovila não dependam da exploração de outras pessoas ou lugares, nem da exploração do futuro no presente. Algumas das questões que a Ecovila irá enfrentar em relação ao sistema econômico, são:
-Que atividades econômicas sustentáveis, no sentido de serem suficientes para sustento dos membros da comunidade e se  mostrem ecologicamente responsáveis, serão as mais adequadas?
-Que partes da comunidade serão espaços em comum, que partes privadas?
-Como podemos ser simultaneamente eficientes econômica e ecologicamente, para reduzir tanto gastos como impactos ambientais?
-Qual é o modo mais apropriado de organização do trabalho para os negócios comunitários de uma Ecovila?
-Existem alternativas úteis, ou complementares à moeda, para facilitar o intercâmbio econômico dentro e entre diversas Ecovilas?
Desafios da gestão
Como a economia, os ideais de igualdade e não exploração são pontos essenciais, mas não nos dão uma idéia clara de como levar isso à pratica algumas perguntas úteis são:
-Como se tomarão as decisões, que métodos se utilizarão, para que tipo de decisões?
-Como se resolverão os conflitos?
-Como se farão cumprir as decisões da comunidade?
-Quais serão as funções e as expectativas da liderança?
-Como se relaciona a Ecovila com as comunidades vizinhas?
Desafios da coesão grupal
Para poder manejar todos estes desafios, os membros da Ecovila necessitam algo
que os mantenha unidos, algumas bases de valores compartilhados e uma visão que lhe possa dar a coesão. Desenvolver e manter essa coesão é outro nível de desafio, que irá despertar perguntas como:
-Qual é a relação apropriada entre unidade e diversidade?
-Que expectativas se tem com relação a valores, comportamentos ou práticas de grupo compartilhadas?
-Até que ponto se desenvolve melhor essa proximidade?
-Como irá se relacionar o grupo com outras pessoas fora do grupo?
Desafios do sistema total
Um dos maiores desafios que enfrentam aqueles que intentam criar uma Ecovila é talvez que se necessitam transformações em tantas diferentes áreas da vida. Quase sempre os fundadores de comunidades intentam ou se sentem forçados a trabalhar todos os aspectos desta transformação simultaneamente.
Geralmente, todas estas transformações levam mais tempo e são mais custosas do que se espera. Ainda mais, cada área de transformação, interagirá com as outras de maneira imprevisível. Dentro do processo, os recursos financeiros, recursos emocionais e as relações interpessoais podem ser postas sob uma grande pressão. Quando os intentos de comunidade falharam, uma das razões foi geralmente porque o grupo intentou fazer demasiado e muito rápido com relação aos recursos à sua disposição.
O desafio do sistema total então, é de tomar um honesto sentido do alcance da empreitada, e logo desenvolver uma aproximação que permita à comunidade desenvolver-se a um passo sustentável e seguro.
Em outras palavras, "sustentabilidade" não é uma característica da comunidade finalmente implantada, tem que ser parte do pensamento e dos hábitos do grupo desde o começo.
Construir uma Ecovila bem-sucedida requer equilíbrio de atividades entre três principais fases:
1) Recursos e desenho.
2) Criação e implementação.
3) Manutenção de cada uma das áreas de DESAFIO.
Tomar todos os desafios juntos pode resultar excessivo. Não é surpreendente que ainda não haja comunidades que consigam completar o ideal de Ecovila. Se existem muitos projetos e grupos pioneiros que fizeram progressos consideráveis em aproximar-se em forma bem-sucedida a cada um destes desafios. Inclusive, algumas comunidades poderiam em poucos anos considerar-se Ecovilas completas.
Aqueles grupos que atualmente estão dirigindo seus esforços para estes objetivos, tanto ao iniciar uma nova Ecovila ou ao intentar transformar uma comunidade intencional já existente, felizmente não precisam começar do nada.

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