segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Cientistas testam ayahuasca para depressão e Parkinson



Bebida usada no Santo Daime mostrou potencial terapêutico em roedores

Pesquisadores da USP e da Unifesp viram alterações no cérebro das cobaias, mas há risco de efeito colateral
por MORRIS KACHANI
SÁBADO, 21 DE DEZEMBRO DE 2013 - Estudo realizado por pesquisadores da Unifesp e da USP indica que a ayahuasca pode ter efeitos terapêuticos em casos de depressão e mal de Parkinson.

A ayahuasca, usada em rituais religiosos como o Santo Daime, é uma bebida produzida a partir do cipó e da folhagem de duas plantas amazônicas.

Um de seus componentes é a dimetiltriptamina, que se assemelha ao LSD (ácido lisérgico). Em altas doses, pode produzir alucinações.

No experimento, os pesquisadores administraram soluções com dosagens variadas, além de placebo, a roedores. A estrutura cerebral de cada grupo foi comparada. Os cientistas concluíram que no cérebro dos animais que tomaram ayahuasca houve diferentes níveis de produção de neurotransmissores --noradrenalina, dopamina e serotonina.

Os neurotransmissores propagam estímulos entre os neurônios. Após a ação, eles são recaptados ou destruídos por enzimas. A ayahuasca inibe as enzimas e concentra os neurotransmissores nas fendas sinápticas, fazendo com que eles tenham uma ação mais prolongada, o que potencializa suas ações.

Depressão e Parkinson são doenças ligadas à disfunção na produção desses neurotransmissores.

"Já se sabia que alguns componentes da ayahuasca poderiam agir como antidepressivos. Mas não era sabido que eles alteravam a liberação de neurotransmissores em áreas cerebrais específicas", afirma Maria da Graça Naffah Mazzacoratti, do departamento de bioquímica da Unifesp, que participou da pesquisa.

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