quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Terapias Holísticas ou fugas holísticas?

Por Dalton Campos Roque do Consciencial.Org

CASO 1 -
Fulana tem 40 anos e parece uma bruxinha simpática. É sociável, “descolada”, amiga, faz a caridade que pode e frequenta diversos grupos.
Final de semana ela não falha, já frequenta aquele Centro Espírita há 20 anos ou mais e ama as palestras sobre reforma íntima. No meio da semana ainda vai numa linda Gira de Umbanda com aquela fé admirável do brasileiro que todos nós simpatizamos tanto. A Gira é muito bonita e tem uma energia gostosa e acalentadora.
Fulana é casada, com filhos e cuida muito bem da família. Ela é atenta e serena cuida dos dois filhos e do “maridão” que junto a ela perfaz uma família feliz dentro da realidade brasileira.
O Centro Espírita que ela frequenta é bem avançado e lá ela além de tomar os passes uma vez por semana também faz tratamento de Cromoterapia e Apometria que só os Centros que se dedicam a ajudar as pessoas possuem.
A cada dois meses ela vai ao médico, que também é Espírita, velho amigo da família e a trata com Homeopatia. Ela também frequenta um grupo que estuda Terapias alternativas e Psicologia e uma de suas queridas amigas do grupo, Psicóloga, pós-graduada, também a atende, ministrando uma série de florais sofisticados, aplicando cristais e pedras quentes.
Dona fulana é muito ativa e não para, também está fazendo um curso de Reiki (sem sequer saber por quê) apenas por gosto e por sociabilidade.
Já leu uns seis livros de Zibia Gasparetto e metade do Livro dos Espíritos, por quê é um pouco mais complicado. Leu também alguns de Chico Xavier por André Luiz que são mais romanceados, embora com conhecimento profundo. Livros mais técnicos de consciência e energia nem pensar!
Dona Fulana não falha em suas orações noturnas, pedindo para si e para a família certa que já ganhou o céu.
Todos queremos ser felizes, ter uma vida equilibrada e próspera, com abundância, amigos e rodas sociais. Desejamos constituir família, trabalhar a espiritualidade de alguma forma e afirmar o valor de nosso EU natural, o ego sadio que todos nós temos.
Será bom ter um pouco de rotina para nos dar tranquilidade e uma porção de variação para nos dar motivação e permanecermos atentos e motivados no trabalho.
A questão é que Dona Fulana está terceirizando a evolução consciencial dela e ainda se enganando que está efetuando a reforma íntima. Ela não se deu conta que ainda não está espiritualizada, que sequer entrou num patamar básico de consciência e se acha “lá na frente”.
Ela projeta toda a mudança que deveria fazer por dentro nas coisas de fora, nos tratamentos, nos relacionamentos, etc, mera fuga.
CASO 2 -
Ministra passes, efetua palestras e escreve para o Blog do Centro Espírita. Como mente aberta e coração fraterno inteligente que é, concorda com o Presidente do Centro que devem ter Cromoterapia e Apometria, sempre pensando nas pessoas e não no status de poder que isto propicia.
Como homem, - e homem é meio turrão e meio incauto em cuidar de si, não faz terapia nenhuma e ainda reluta em ir ao médico fazer os checkups que a esposa tanto implica e insiste em pedir.
Um conforto excessivo e rotina estagnados garantem estacionar as margens da estrada evolutiva, embora a caridade seja linda, abençoada e necessária.
CASO 3 -
Ciclano tem menos de 30, na verdade está entre 20 e 30 anos. Jovem, sadio, forte e motivado. Faz faculdade e já leu bastante inclusive sobre Escolas Esotéricas.
Com perfil intelectual, está bem informado e se sai melhor ainda nas conversas e debates sobre temas espiritualistas. Claro, como jovem, engole e expele lindas teorias que sequer imagina o peso de praticar.
Ciclano tem boa vontade e quer evoluir de fato, aliás, está com pressa, tem uma necessidade egóica de se sentir melhor, acima, a frente dos outros e crê que o conhecimento basta. As vezes vaza aquele orgulho e vaidade até meio naturais da idade que todos nós mais velhos também já sentimos e sabemos como é.
As vezes se excede nos debates exacerbados na Internet, certo de que é o maior e melhor e sabe muito.
Encontrou um grupo que parece muito “prá-frentex”, muito “esperto”, muito “evoluído” e mergulhou e cabeça nele e em tal mente coletiva com sentimento, agora mais reforçado ainda, de superioridade.
Reflexão
A evolução nos propicia sim, muitos caminhos e até o bandido – de alguma forma – mesmo sob desvio, está evoluindo. Temos muito boa fé, muita ingenuidade e aplicamos pouco esforço, obtendo mínimos resultados evolutivos.
Se alguém tiver uma receita evolutiva, por favor me indique, pois eu não tenho. Sei que não adianta se iludir e terceirizar a auto evolução consciencial, se enganar, procurar as coisas fora, enquanto o “dentro” fica em quinto plano.
É muito confortável socializar e ter amigos, participar de grupos afins e estudar, participar de uma mente coletiva que se sente melhor, superior e afrente de outros.
Mas o ego é sofisticado, inteligente e ardiloso e a autocorrupção – o “me engano e gosto” -  nos propicia a baixa velocidade evolutiva, que dizemos (mentimos) que “não queremos”.
Ao olhar para fora sentimos vontade de fazer obras faraônicas que nos projetam ao mundo em vaidade espiritualista e evolutiva.
Ao olhar para dentro vemos o pavor monstruoso de ter que perdoar e ofensor próximo, as vezes da família.
A ter que ser grato a progenitores que me deram a vida e coisas boas, mas também me feriram e usaram profundamente.
A ter que desviar o desejo de proteção egoísta da família nuclear para ajudar a outros com meu tempo e energia sujando minhas próprias mãos tão bonitas.
Conclusão
Conforto demais, rotina demais, equilíbrio demais são sinais de estacionamento evolutivo.
Foco fora demais sem autofoco, sem auto observação e sem autoconhecimento são meras fugas evolutivas e da reforma íntima.
Se você não desafia seu intelecto, não desafia sua vontade e não desafia suas capacidades, com certeza está evoluindo bem devagar ou mais provável, estacionado numa vida de conforto material.
O maior dinamizador evolutivo é auxiliar na evolução consciencial de terceiros sem fazer lavagem cerebral, proselitismo ou incutir preconceitos, como várias linhas e grupos fazem, as vezes, obtendo efeito evolutivo contrário.
Minha dor é meu carma, meu desconforto é meu carma, mas minha libertação, pois eu os escolhi para não ficar acomodado e agir. O rico e o “evoluído” me olham de “cima” para “baixo” enquanto a evolução consciencial me abençoa com pequenos empurrões cortantes e doloridos.
Tenho apegos profundos, desejos cortantes, egos monstruosos, falhas vergonhosas, mas apesar destas “desci” como voluntário das boas obras conscienciais que libertam

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